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Parar o Mounjaro: o que acontece com o peso, como é a retirada e como manter o resultado, com acompanhamento em São Paulo

Por Dra. Isabela Bertoglio

Nutróloga · CRM-SP 194436 · RQE 84645 · RQE 86835

Mulher mede a cintura com fita métrica ao lado de uma caneta injetável e de um gráfico de peso que cai e volta a subir, com ícones de fome, abdômen, treino de força, sono e acompanhamento médico
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Neste artigo

Quando se para o Mounjaro (tirzepatida) sem um plano de manutenção, a fome volta e o peso tende a subir. No estudo SURMOUNT-4, quem trocou a tirzepatida por placebo recuperou em média 14% do peso em cerca de um ano, enquanto quem continuou o tratamento seguiu perdendo. Isso não significa que o remédio precisa ser para sempre: significa que a retirada precisa ser planejada e acompanhada.

Neste post, você vai entender por que o peso volta, quais fatores aumentam o risco de reganho, como o acompanhamento médico em nutrologia conduz a retirada e o que sustenta o peso depois. Se você usa ou já usou caneta emagrecedora, essa é a fase que mais pede atenção.

O que acontece com o peso quando para o Mounjaro

O dado mais direto vem do estudo SURMOUNT-4, publicado no JAMA. Todos os participantes usaram tirzepatida por 36 semanas e perderam cerca de 21% do peso. Depois, metade continuou com o medicamento e metade passou a receber placebo, sem saber, por mais 52 semanas.

Resultados do SURMOUNT-4 depois da fase inicial de 36 semanas com tirzepatida
Medida Continuou a tirzepatida Trocou por placebo
Mudança de peso nas 52 semanas seguintes −5,5% +14,0%
Perda total desde o início (88 semanas) −25,3% −9,9%
Mantiveram ao menos 80% do peso perdido 89,5% 16,6%

Dois pontos ajudam a ler esses números. Primeiro, quem parou não voltou ao peso inicial em um ano: ainda estava, em média, quase 10% abaixo dele. Segundo, no estudo a troca foi abrupta e sem nenhum plano específico de retirada, que é exatamente o cenário que o acompanhamento médico tenta evitar. Com a semaglutida, o padrão foi parecido: no seguimento do estudo STEP 1, os participantes recuperaram cerca de dois terços do peso perdido um ano depois de parar.

Por que a fome volta quando para a caneta

A tirzepatida imita hormônios intestinais (GLP-1 e GIP) que sinalizam saciedade ao cérebro, retardam o esvaziamento do estômago e reduzem o "barulho" da comida na cabeça. Esse efeito dura enquanto o medicamento está no organismo. Quando ele sai, a regulação volta ao que era antes.

Ao mesmo tempo, o corpo que emagreceu tenta recuperar o peso perdido: gasta um pouco menos de energia e produz mais sinais de fome. É a adaptação metabólica, que acontece com qualquer forma de emagrecimento e explica por que tantas pessoas não conseguem manter o peso depois de uma dieta. A obesidade é uma doença crônica, e o tratamento precisa considerar a fase de manutenção.

Fatores que aumentam o risco de reganho

  • Parar de uma vez, sem redução gradual nem plano para a fase seguinte.
  • Ter perdido muita massa muscular durante o uso, o que reduz o gasto de energia. Veja como isso acontece no post sobre Mounjaro e perda de massa muscular.
  • Não ter mudado a alimentação, apenas comido menos porque a fome sumiu.
  • Sedentarismo, principalmente sem treino de força.
  • Sono ruim e estresse, que aumentam a fome por conta própria.
  • Condições não tratadas, como resistência à insulina, que continuam favorecendo o ganho de peso.

Como é feita a retirada com acompanhamento médico

Não existe uma receita de retirada igual para todos. A conduta depende de quanto peso foi perdido, há quanto tempo o peso está estável, da composição corporal, das doenças associadas e da resposta de cada pessoa ao medicamento.

Para essa fase, a Dra. Isabela Bertoglio desenvolveu um protocolo de desmame do Mounjaro e das outras canetas emagrecedoras, pensado para fazer a retirada com segurança e reduzir o risco de reganho de peso. Em vez de interromper o medicamento de uma vez, o protocolo organiza a saída em etapas, com acompanhamento da composição corporal, ajuste da alimentação e do treino e retornos mais próximos nos primeiros meses sem a caneta. O ritmo de cada etapa é definido na consulta, conforme o histórico de cada paciente.

Na prática, o protocolo de desmame passa por alguns pontos:

  1. Escolher o momento. Retirar com o peso estável há algumas semanas e com a rotina de alimentação e treino já consolidada é diferente de parar no meio da perda.
  2. Avaliar a composição corporal. A bioimpedância mostra quanto de músculo foi preservado e serve de referência para acompanhar a fase seguinte.
  3. Definir a estratégia. Em alguns casos, faz sentido reduzir a dose de forma gradual ou espaçar as aplicações; em outros, manter uma dose de manutenção por mais tempo. Essa escolha é individual e médica.
  4. Retornos mais próximos nos primeiros meses. É quando a fome volta e quando pequenos ajustes evitam que o reganho ganhe velocidade.
  5. Tratar o que estava por trás do peso. Sono, resistência à insulina, ansiedade e outros fatores continuam pedindo cuidado.

Mudar a dose, espaçar as aplicações ou parar por conta própria não é recomendado. Além do risco de reganho, voltar a usar depois de uma pausa longa pode exigir reiniciar em dose baixa, para reduzir efeitos colaterais.

O que sustenta o peso depois de parar o Mounjaro

Massa muscular

Músculo gasta energia mesmo em repouso e ajuda no controle da glicose. Treino de força de duas a três vezes por semana e proteína adequada em todas as refeições, durante e depois do uso, são as duas medidas mais importantes para proteger o resultado.

Alimentação que funcione sem a caneta

Durante o uso, comer pouco é fácil. O desafio é construir uma alimentação que se sustente quando a fome volta: refeições com proteína e fibras, menos ultraprocessados, horários organizados e estratégias para os momentos de maior vontade de comer, como o fim do dia.

Sono, estresse e movimento

Dormir de 7 a 8 horas, cuidar do estresse e manter atividade física diária reduzem a fome de forma independente do remédio.

Monitoramento

Pesar-se regularmente e repetir a bioimpedância nos retornos ajuda a perceber o reganho cedo, quando ainda é fácil de corrigir.

Emagrecimento com acompanhamento médico em São Paulo

A Dra. Isabela Bertoglio atende emagrecimento com acompanhamento médico e nutrologia na Clínica Belvitá, na Rua Teixeira da Silva, 54, na Bela Vista, perto da estação Paraíso do metrô e da Avenida Paulista, com estacionamento conveniado com manobrista. Veja como chegar ao consultório.

Para quem usa tirzepatida ou semaglutida, o acompanhamento inclui avaliação da indicação, bioimpedância InBody 380 nos retornos, plano para preservar músculo e, no momento certo, o protocolo de desmame e manutenção. As diferenças entre tirzepatida e semaglutida estão em outro post, e o caminho completo está no guia de emagrecimento com acompanhamento médico.

Perguntas frequentes

Preciso usar Mounjaro para sempre?

Não necessariamente. Os estudos mostram que interromper sem plano leva a reganho de peso, mas a decisão de manter, reduzir ou parar é individual. Depende de quanto peso foi perdido, da composição corporal, das doenças associadas e dos hábitos construídos durante o uso. O acompanhamento médico define a melhor estratégia para cada fase do tratamento.

Posso parar o Mounjaro de uma vez?

Parar de uma vez, sem orientação, é o cenário de maior risco de reganho, porque a fome volta rapidamente e o corpo não está preparado para a nova fase. A retirada deve ser planejada com o médico, que avalia o momento, a necessidade de reduzir a dose de forma gradual e a frequência dos retornos nos primeiros meses. A Dra. Isabela Bertoglio conduz essa fase com um protocolo de desmame individualizado.

Em quanto tempo o peso volta depois de parar?

No estudo SURMOUNT-4, quem trocou a tirzepatida por placebo recuperou em média 14% do peso ao longo de 52 semanas, com a maior parte do reganho nos primeiros meses. A velocidade varia de pessoa para pessoa e diminui quando há massa muscular preservada, alimentação ajustada, treino de força e acompanhamento médico.

Dá para voltar a usar o Mounjaro depois de parar?

Em geral, sim, quando há indicação. Depois de uma pausa, o médico costuma reiniciar o tratamento em dose mais baixa e aumentar aos poucos, para reduzir náuseas e outros efeitos colaterais. A decisão considera o motivo da pausa, o peso atual, os exames e o histórico de tolerância ao medicamento.

O que comer depois de parar o Mounjaro?

O foco é uma alimentação que funcione mesmo com a fome de volta: proteína em todas as refeições para proteger os músculos, fibras de verduras, legumes e leguminosas, menos ultraprocessados e bebidas adoçadas, e horários organizados. O plano é individual e ajustado nos retornos, conforme a fome, a rotina e a bioimpedância.

Onde fazer acompanhamento para parar o Mounjaro em São Paulo?

A Dra. Isabela Bertoglio atende na Clínica Belvitá, na Rua Teixeira da Silva, 54, na Bela Vista, perto do metrô Paraíso e da Avenida Paulista, com estacionamento conveniado com manobrista. O acompanhamento inclui avaliação médica, bioimpedância InBody 380 e protocolo de desmame e manutenção. O agendamento é feito pelo WhatsApp.

Parar o Mounjaro: o essencial

Parar o Mounjaro sem plano costuma levar ao reganho de peso, porque a fome volta e o corpo tenta recuperar o que perdeu. Uma retirada planejada, com massa muscular preservada, alimentação ajustada, treino de força e acompanhamento médico, reduz esse risco. A decisão de manter, reduzir ou parar o medicamento é individual e deve ser tomada com o médico.

Referências

  1. Aronne LJ et al. Continued treatment with tirzepatide for maintenance of weight reduction in adults with obesity: the SURMOUNT-4 randomized clinical trial. JAMA. 2024;331(1):38-48.
  2. Wilding JPH et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: the STEP 1 trial extension. Diabetes Obes Metab. 2022;24(8):1553-1564.
  3. Look M et al. Body composition changes during weight reduction with tirzepatide in the SURMOUNT-1 study. Diabetes Obes Metab. 2025.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Não substitui consulta médica e não é recomendação de uso de qualquer medicamento. Não inicie, suspenda nem altere doses sem orientação médica.

Dra. Isabela Bertoglio

Escrito por

Dra. Isabela Bertoglio

Médica · Atendimento em Nutrologia

Nutróloga · CRM-SP 194436 · RQE 84645 · RQE 86835
Doutorado pela USP · Nutrologia Clínica – Hospital Israelita Albert Einstein

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